O Play é uma Plataforma Livre de Acesso às Artes, de impacto sociocultural, que através das múltiplas linguagens e expressões artísticas, deseja ampliar percepções sobre educação a partir da cidade e suas diversidades. Estimulando a reflexão e a experimentação através de instalações e intervenções artísticas, performances, residências, oficinas e diálogos, que explorem diferentes experiências estéticas nas artes visuais e performáticas, oferecendo um espaço de conhecimento, troca e intercâmbio artístico, cultural e territorial.
Idealizado e desenvolvido por Tathiana Lopes, o Play nasce de uma pesquisa em arte e educação, com foco em cidade educadora e educação integral — uma perspectiva que pensa as infâncias e juventudes de forma diversa, inclusiva e participativa, investigando a arte como dispositivo de educação.
Para a Edição Salvador, o Play chega à cidade com a exposição coletiva ‘Lugar Nenhum é Logo Ali’, que reúne seis artistas contemporâneos cujos trabalhos reforçam a potência da arte como ferramenta de educação, escuta e participação.
A mostra propõe uma experiência interativa, colocando o público em diálogo com diferentes expressões estéticas, atravessadas por corpo, identidade, memória e cidade.
A exposição reúne obras inéditas, criadas especialmente para esta edição, ao lado de trabalhos emblemáticos de artistas já consagrados, estabelecendo diálogos entre gerações, linguagens e modos de ver o mundo.
O público é convidado a explorar experiências artísticas que ampliam horizontes, despertam novos imaginários e fortalecem a compreensão da cidade como território de educação e criação.
Como uma Plataforma que articula arte, educação, através de experimentação e reflexão, o Play propõe expandir sua circulação por meio de uma programação e ações que conectem diferentes territórios da cidade. Criando uma programação transversal à exposição, com atividades que desdobram as experiências inauguradas pela mostra.
Nesta edição, para além da exposição, a plataforma mobiliza e circula diferentes atores sociais – educadores, pesquisadores, artistas, lideranças, agentes culturais, movimentos sociais, crianças e jovens,- através de uma rede viva para rodas de conversa, debates, oficinas e um lab de formação e fruição artística.
Essa transversalidade fortalece e potencializa a experiência da exposição, no contexto de mobilização cultural, cidadã e educativa da cidade.
Assim, o Play, se coloca como um dispositivo de circulação e partilha, capaz de fortalecer vínculos entre territórios da cidade para ampliar o alcance das práticas artísticas, educativas e sociais através de experiências coletivas.
Brincar é transformar o mundo em território de experimentação. É a capacidade de converter qualquer elemento, material ou objeto em jogo. De modo espontâneo, o brincar mobiliza o imaginário para elaborar e reinventar situações, criar narrativas, estabelecer vínculos e ensaiar outras formas de estar no mundo. Nesse movimento, permite uma relação sensível com as materialidades e, sobretudo, com os modos de habitar a realidade e a coletividade.
Assim nasce Lugar Nenhum é Logo Ali, desdobramento do Play — uma Plataforma Livre de Acesso às Artes, que emerge das ruas do Rio de Janeiro como prática de pesquisa, mobilização e articulação territorial, e chega agora a Salvador. Ao se debruçar sobre as infâncias e juventudes em suas múltiplas experiências urbanas, o Play propõe pensar a educação pela arte e pela cultura como dimensões inseparáveis da vida coletiva, sempre em diálogo com a cidade, suas territorialidades, diversidades, memórias e identidades.
Esta edição se constitui como um território vivo de encontros, onde o ambiente expositivo é simultaneamente jogo, reflexão crítica e prática colaborativa, para que público e artistas — todas as pessoas — tornem-se coautores, em um processo que atravessa dimensões pedagógicas, políticas e afetivas, abrindo espaço para imaginar novos modos de ocupar a cidade.
Ao reunir trabalhos de Maxim Malhado, Marepe, Vik Muniz, Laís Machado, Milena Ferreira e Mano Penalva, a exposição constrói um percurso estético do cotidiano. São poéticas que transitam entre o ordinário e o extraordinário, entre a fabulação e a realidade, o visível e o invisível, entre o espaço público e o privado.
A mostra reúne obras emblemáticas, já consagradas na trajetória de artistas, e criações inéditas, produzidas especialmente para esta exposição, estabelecendo um diálogo vivo com a cidade de Salvador. Um encontro de gerações que evidencia suas subjetividades e a diversidade de suas vivências, ao mesmo tempo que revela uma confluência de gestos poéticos: o uso de materiais e objetos cotidianos, resíduos urbanos e símbolos domésticos, são deslocados e ressignificados, transformando-se em dispositivos de participação e reflexão.
São trabalhos que convocam o corpo à experimentação, ao movimento, ao improviso – afirmando a liberdade como experiência coletiva. O brincar, compreendido como força central da infância, não é apenas gesto espontâneo da criança: é fio condutor que atravessa práticas artísticas, desloca corpos e pensamentos, e provoca novas formas de habitar o espaço e o tempo.
Lugar Nenhum é Logo Ali propõe que, ao atravessar as obras, o público ative a mostra como plataforma de circulação e troca — expandindo horizontes e desafiando fronteiras simbólicas e geográficas. A participação ativa, nesse contexto, reafirma a arte como um espaço de encontro plural, em movimento, aberto às muitas cidades que coexistem em uma mesma cidade.
Tathiana Lopes
Concepção e Curadoria
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Na travessia entre o sonho e a cidade, entre o gesto e a imaginação, a CAIXA Cultural Salvador abre suas portas para o PLAY Festival e convida o público a habitar este espaço, onde o brincar é linguagem e a arte é território de encontro.
Com a exposição “Lugar Nenhum é Logo Ali”, a CAIXA, em parceria com a PLAY – Plataforma Livre de Acesso às Artes, propõe uma jornada sensível pelas paisagens da infância, da juventude e da criação. Sob a curadoria precisa e delicada de Tathiana Lopes, a mostra reúne obras que investigam os caminhos da mobilidade, os contornos do espaço público, a força da diversidade e o direito de imaginar outras cidades possíveis.
Os artistas Vik Muniz, Marepe, Lais Machado, Mano Penalva, Milena Ferreira e Maxim Malhado desenham com suas obras mapas afetivos e poéticos, onde cada traço é convite à escuta, à participação e ao encantamento. São vozes que ecoam urgências do nosso tempo, mas também anunciam futuros possíveis, onde o lúdico é potência transformadora.
Assim, a CAIXA, uma empresa pública que cultiva a cidadania e a inclusão, reafirma seu compromisso com a cultura como ferramenta de diálogo e construção coletiva. Por meio da Seleção CAIXA e do Programa Educativo CAIXA Gente Arteira, as faces primeiras que materializam as oito unidades da CAIXA Cultural espalhadas de Norte a Sul deste país, o banco fomenta a diversidade e semeia experiências que atravessam fronteiras e aproximam saberes.
“Lugar Nenhum é Logo Ali” é mais que uma exposição: é um território de encontros. Um lugar onde o tempo se dobra para acolher memórias, desejos e descobertas. Onde infâncias e juventudes se reconhecem como protagonistas de suas histórias, e a arte se revela como ponte entre mundos, gerações e modos de existir.
A parceria entre o PLAY e a CAIXA Cultural é um gesto de confiança na capacidade da arte de transformar, de educar e de unir. Juntos, criam um espaço fértil para o florescer de ideias, afetos e possibilidades, ampliando os horizontes da cultura brasileira e celebrando o que nos torna singulares e plurais.
CAIXA
Vik Muniz (São Paulo, SP, 1961) é um artista contemporâneo brasileiro, que vive entre Rio, Nova York e Salvador. Reconhecido por explorar a materialidade e a percepção em suas obras. Cria imagens usando materiais inusitados — como açúcar, chocolate, lixo, poeira e objetos banais — transformando-os em fotografias de alta precisão que questionam o que vemos e como interpretamos a realidade. Seu trabalho mistura arte, fotografia e crítica social, frequentemente ressignificando a cultura popular, a memória e os objetos do cotidiano. Através de suas recriações de obras clássicas e cenas icônicas, Vik desafia a fronteira entre o original e a cópia, o material e a imagem, convidando o público a refletir sobre valor, realidade e ilusão.
Chuva no estúdio, a partir de Von Stillfried-Rathenitz, 2008
Espero, a partir de Julia Margaret Cameron, 2004
Jornaleiro, a partir de Lewis Hine, 2008
Na série Rebus, Vik Muniz transforma brinquedos em imagens que recriam fotografias históricas e cenas icônicas da memória visual. Entre as obras apresentadas estão Chuva no estúdio, a partir de Von Stillfried-Rathenitz (2008), Espero, a partir de Julia Margaret Cameron - 2004 e Jornaleiro, a partir de Lewis Hine - 2008. Vik não apenas reproduz as cenas originais; ele as reinventa, utilizando milhares de brinquedos para criar imagens que desafiam a percepção do espectador sobre realidade, escala e materialidade. O resultado é uma experiência visual que mistura encenação, familiaridade e imaginação, mostrando como a memória coletiva e a cultura visual podem ser reinterpretadas.
Maxim Malhado (Ibicaraí, BA, 1967) vive em Massarandupió, BA, é artista visual cuja produção se inspira na memória do Recôncavo Baiano e em sua infância marcada pelas casas de pau a pique e pelas construções vernaculares. Trabalhando com materiais simples como madeira, papelão, palha e linha, cria esculturas, objetos, desenhos e instalações que transitam entre o íntimo e o coletivo, explorando o tempo, a beleza da imperfeição e a força da memória.
ESCONDERIJO, 2015—2016
...a obra ESCONDERIJO nos trás essa coisa, essa necessidade de conhecer e revelar o que ainda não quer ser dito, fica no mundo das ideias, no museu do lugar, como digo, apresenta vários desenhos em pequeno formato feito a lápis de cor sobre papel, colocado num espaço escavado na madeira (vinhático), duas mesas tipo aparador, com imagens de ambientes de ESTAR, onde são vistos(interagindo) utilizando um objeto lupa, que tem intenção não somente ampliar aquele lugar, engrandecer, mas principalmente de se aproximar dele...
ABC, 2015—2016
...são escritas nas paredes que faço há quase 58 anos, feitos a carvão, isso mesmo, carvão de sobra de fogueira de São João ou usado em fogão a lenha para preparar a transformação dos alimentos nas cozinhas pelos interiores dos lugares, um grafismo rural, cheio de meninos nas mãos...
Roça (2024/2025)
...são catorze portais feitos em madeira de jaqueira onde guardam Orixás- Deuses flutuando, um tanto meu mais um tanto seu, representado na predominância de suas cores e elementos de memória e força, individual e coletiva, cada qual na sua delicadeza e autoridade conquistada, 14 casas construídas com arame de construção, tendo com elo de união o que chamo de "DEZIDÉRIO", objeto feito, em sua maioria de ferro utilizado para pendurar outras belezas em casa, no nosso terreiro...
Obra inédita, comissionada especialmente
para esta edição. Disponível a partir
da abertura da exposição.
Duas por uma, 2025
Obra inédita comissionada pelo Play para a exposição “Lugar nenhum é logo ali”
...como num sonho bom, que a gente desperta, vira ao avesso a fronha do travesseiro, que é pra continuar o sonho novamente, de alongá-lo de alguma forma, alongar o centro da casa, os membros, braços, pernas e outras extremidades, feita em madeira agreste com duas paredes onde frente, fundo, dentro, fora, dono ou não "é tudo a mesma coisa", a mesma casa…
A Vila, 2010-2011
...conjunto, parede e meia, meia parede, o silêncio é definitivamente substituído pelo convívio, compartilhado e repartido em dois, assim como o prêmio da rifa, porque teve ocasionalmente, no último lance, mais de três ganhadores...
Mano Penalva (Salvador, BA, 1987) é artista visual que vive e trabalha em São Paulo. Sua pesquisa investiga como a cultura brasileira se manifesta no cotidiano, especialmente nas ruas, no comércio popular e nos espaços domésticos. A partir de materiais simples e reaproveitados — como miçangas, cordas, ripas e objetos comuns —, cria composições que transformam o familiar em novas experiências visuais e poéticas, revelando a força inventiva presente na cultura popular.
TUDO PASSA, 2016
A obra propõe uma reflexão sobre a transitoriedade e a efemeridade das coisas, utilizando materiais simples para criar uma composição que remete à fluidez do tempo. O artista mobiliza repertórios populares e materiais cotidianos para produzir novas leituras, e parte da força dessa frase popular que atravessa o cotidiano, circulando entre a rua e a casa. A obra se apresenta como uma cortina de miçangas de madeira, presas por fitilhos e sustentadas por uma ripa. As miçangas variam em tons de bege, compondo um fundo sobre o qual a inscrição “Tudo passa” aparece em preto, em contraste direto.
EU BALANÇO, 2025
Eu Balanço é um trabalho desenvolvido em colaboração com um grupo de alunos da Escola Arco Cooperativa, durante a 4ª Residência Campo em Obra, em São Paulo, e está sendo exposta pela 1ª vez. A obra parte da tradição da rede de deitar — objeto que atravessa tempos e geografias como tecnologia de descanso, suspensão e encontro com o corpo. Aqui ela não foi feita para sustentar corpos, mas palavras.Tramada com 3 mil miçangas de madeira, ripas e cordões de algodão trabalhados em macramê, a obra nasce como gesto de transposição: transformar a rede em dispositivo que lança a palavra no ar, uma mídia capaz de converter o ato de escrever em movimento performativo. O balanço, que tradicionalmente envolve o corpo, aqui se converte em ação da linguagem — a palavra repousa, oscila e se projeta no espaço. Nesse deslocamento, Eu Balanço ressignifica a rede. Ela deixa de ser apenas suporte físico para tornar-se suporte simbólico: não mais lugar de deitar, mas campo de trânsito entre gesto e voz, matéria e respiração, escrita e ação.
CAMA DE GATO — Série
Cama 1, 2022
“Cama de Gato” é uma série de obras, que utiliza miçangas de madeira, fitilho, ripas de madeira e suporte de ferro. Inspirada no jogo infantil que manipula cordas para formar figuras geométricas, a obra propõe uma reflexão sobre as relações sociais e culturais, utilizando materiais simples para criar formas complexas e interativas.
CAMA DE GATO — Série
Desenho V, 2024
Um ponto, depois outro ponto e mais um ponto. Uma linha. O gesto simples que funda o desenho se desdobra, nas composições de miçangas de madeira, em linhas que se conectam como letras, sinais ou grafites espalhados pela cidade. Essas formas aparecem em escala agigantada, deslocando a medida da mão para o confronto direto do corpo com o espaço. Essa operação se aproxima da brincadeira da Cama de Gato, em que duas pessoas, com um único fio, criam desenhos no ar e transformam um gesto elementar em jogo coletivo. Ao evocar esse universo, as peças ativam memórias infantis e táteis, associando o corpo tanto ao ato de escrever e riscar quanto ao brincar. Nelas, o jogo e a prática artística se encontram como potências capazes de converter o banal em experiência simbólica, abrindo novas formas de perceber o mundo.
CAMA DE GATO — Série
Desenho I, 2021
Um ponto, depois outro ponto e mais um ponto. Uma linha. O gesto simples que funda o desenho se desdobra, nas composições de miçangas de madeira, em linhas que se conectam como letras, sinais ou grafites espalhados pela cidade. Essas formas aparecem em escala agigantada, deslocando a medida da mão para o confronto direto do corpo com o espaço. Essa operação se aproxima da brincadeira da Cama de Gato, em que duas pessoas, com um único fio, criam desenhos no ar e transformam um gesto elementar em jogo coletivo. Ao evocar esse universo, as peças ativam memórias infantis e táteis, associando o corpo tanto ao ato de escrever e riscar quanto ao brincar. Nelas, o jogo e a prática artística se encontram como potências capazes de converter o banal em experiência simbólica, abrindo novas formas de perceber o mundo.
Laís Machado (Salvador, BA, 1990) é uma artista transdisciplinar, que vive e trabalha em Salvador. Desenvolve projetos multilinguagem que dialogam com artes cênicas, performance-arte, instalação, site-specific, foto-performance e audiovisual. Sua prática explora os limites do corpo, investigando o fluxo como meios de produção de presenças. A utilização de materiais orgânicos e a incorporação de elementos simbólicos podem ser vistas como uma forma de resgatar e reimaginar experiências passadas, criando um espaço de pertencimento e identidade.
Obra inédita, comissionada especialmente
para esta edição. Disponível a partir
da abertura da exposição.
Cartografia Sonora – Caminho das Águas l, 2025
Obra inédita comissionada pelo Play para a exposição “Lugar nenhum é logo ali”A obra integra uma peça sonora, comissionada para a exposição composta por dez registros de campo realizados em fontes d’água mapeadas pelo projeto Caminho das Águas em Salvador. Cada registro corresponde a um ponto do percurso, formando uma cartografia acústica da presença da água na cidade. O trabalho cria um diálogo sensível entre memória, natureza e presença urbana, conectando a experiência visual dos aquários à imersão sonora das águas, transformando a obra em um espaço performativo e contemplativo que evoca o fluxo e a história da cidade.
Milena Ferreira (Salvador, BA, 1992) vive e trabalha em Salvador. É uma artista visual que utiliza a escultura, o desenho, a gravura, para explorar a estética da ruína como espaço de memória e pertencimento. Sua produção é profundamente influenciada por suas vivências pessoais e pela paisagem urbana de Salvador, onde observa as transformações e os vestígios de uma cidade em constante mudança.
Obra inédita, comissionada especialmente
para esta edição. Disponível a partir
da abertura da exposição.
Uma releitura a partir da obra “Das coisas que a terra não come”, 2025
Obra inédita comissionada pelo Play para a exposição “Lugar nenhum é logo ali”
Uma releitura a partir da obra “Das coisas que a terra não come”. Nessa edição, ela traz 10 dos brinquedos resgatados da casa de sua infância, e os imprime em pilares de barro onde a terra vermelha sugere à ideia de sedimento, de material acumulado, evocando memórias íntimas e profundas, ligadas à terra e a passagem do tempo. O público poderá acessar visualmente a memória dos brinquedos, que também serão expostos.
Obra inédita, comissionada especialmente
para esta edição. Disponível a partir
da abertura da exposição.
A Paisagem Nunca Tá Pronta, 2025
Obra inédita comissionada pelo Play para a exposição “Lugar nenhum é logo ali”
A segunda obra, A Paisagem Nunca Tá Pronta, também inédita, é inspirada na série “Textura é sentimento”, inicialmente ligada às memórias pessoais da artista, ganha nesta versão, uma dimensão coletiva, relacionando-se também com a vivência de outros habitantes da cidade. Desenvolvida a partir da coleta de rebocos e fragmentos de casas e espaços em Salvador, Milena os transforma em colagens, que dão forma a um mapa-móbile. Essa estrutura permite ao público atravessar e experimentar sensivelmente a obra, ao mesmo tempo em que provoca reflexões sobre memória, história e as fronteiras invisíveis que limitam o acesso, a presença e o pertencimento.
Obra inédita, comissionada especialmente
para esta edição. Disponível a partir
da abertura da exposição.
A Paisagem Nunca Tá Pronta, 2025
Obra inédita comissionada pelo Play para a exposição “Lugar nenhum é logo ali”
Obra inédita, comissionada especialmente
para esta edição. Disponível a partir
da abertura da exposição.
Obra inédita comissionada pelo Play para a exposição “Lugar nenhum é logo ali”
Marepe (Santo Antônio de Jesus, BA, 1970) vive e trabalha em Santo Antônio. Transforma o cotidiano do interior da Bahia em arte. Lembranças, objetos simples e gestos do dia a dia se tornam esculturas, fotografias e instalações cheias de humor, delicadeza e crítica social. Seu trabalho conecta o cotidiano pessoal com experiências compartilhadas, mostrando como a simplicidade das coisas pode se tornar linguagem artística. Com isso, Marepe cria obras que dialogam com pessoas de diferentes lugares, tornando o que é familiar, em linguagem universal e convida todos a se conectarem com a experiência da arte
O Cânone, 2006
Em O Cânone, Marepe parte de uma reflexão sobre formas de viver junto. A instalação — formada por guarda-chuvas pretos encaixados uns nos outros — cria uma espécie de abrigo coletivo. Cada objeto parece proteger o outro, compondo uma imagem poética de zonas de conforto e proteção compartilhada. Para o artista, a obra evoca a possibilidade de um espaço onde a coletividade ganha forma como um gesto comum. A obra também provoca uma reflexão sobre as normas culturais e sociais, desafiando o espectador a repensar o que se considera “canônico” na arte e na vida em sociedade. Os guarda-chuvas suspensos no espaço, criam a impressão de uma chuva simbólica. Esse arranjo evoca simultaneamente a ideia de proteção coletiva e a reflexão sobre padrões e uniformização culturais, convidando quem interage, a considerar novas perspectivas, valores e modos de conviver juntos.
A oficina “Abrindo Letras”, conduzida pelo artista Maxim Malhado, propõe uma experiência coletiva no espaço público.
Inspirada em sua obra homônima — uma intervenção urbana que espalha mensagens poéticas escritas à mão em placas de madeira, semelhantes às de anúncios populares, fixando-as em postes pelas ruas. — a atividade convida o público a transformar palavras em paisagem urbana.
Ao longo do encontro, Maxim compartilha seu processo criativo e as histórias por trás das intervenções realizadas em diferentes territórios, revelando a força política e afetiva das palavras quando ocupam as ruas.
Em seguida, cada participante cria sua própria placa (escrevendo frases, versos ou mensagens) e, junto ao artista, sai em caminhada pelo entorno da Caixa Cultural para realizar uma intervenção coletiva, instalando as frases em postes, transformando o espaço urbano em um território poético coletivo. “Abrindo Letras” é um convite a ocupar a cidade com arte, presença e poesia.
Local – CAIXA Cultural
Data – 15 de novembro de 2025
Horário – 10h às 11h30
Inscrições aqui
Vagas limitadas | Gratuito
Para todas as idades
A oficina “Das coisas que a Terra não come”, conduzida pela artista Milena Ferreira, convida o público a criar a partir de lembranças que resistem ao tempo. Inspirada em sua obra homônima, a atividade parte das impressões de brinquedos de sua infância, lembranças da primeira casa onde viveu.
Durante o encontro, Milena apresenta seu processo artístico e convida cada participante a trazer um brinquedo para experimentar modos de recriar e ressignificar a obra, realizando sua própria impressão no barro. O resultado compõe uma instalação coletiva feita de afetos e histórias.
“Das coisas que a Terra não come” é um convite a escutar a matéria, habitar o tempo e imprimir memória.
Local – CAIXA Cultural
Data – 15 de novembro de 2025
Horário – 11h30 às 12h30
Inscrições aqui
Vagas limitadas | Gratuito
Para todas as idades
Para participar o público deve trazer um brinquedo (uma peça pequena, rígida) para ser usado durante a oficina. O brinquedo é devolvido ao participante.
A visita mediada propõe um encontro vivo com a exposição “Lugar nenhum é logo ali, que reúne trabalhos de artistas de diferentes trajetórias para refletir sobre as formas de habitar e imaginar a cidade, as relações entre memória, território e coletividade no espaço público.
Durante o percurso, Tathiana Lopes, idealizadora e curadora da mostra, compartilha conceitos, histórias, processos e contextos das obras, abrindo espaço para conversas e escutas entre público e exposição.
A visita com a curadora é uma oportunidade de caminhar pelas ideias que deram forma à mostra. Propõe uma imersão ampliada no universo da exposição. Ao acompanhar o percurso expositivo ao lado de quem concebeu sua estrutura conceitual, o público tem acesso a camadas de sentido, referências e processos que, muitas vezes, permanecem invisíveis.
Local – CAIXA Cultural
Data – 15 de novembro de 2025
Horário – 14h às 15h
Inscrições aqui
Vagas limitadas | Gratuito
Para todas as idades
Listar obras, informações e curiosidades. Desenvolver um fio condutor para a visita.
Mediação Vitor Barbosa Com Tathiana Lopes (curadora do Play_Lugar nenhum é logo ali), Maxim Malhado (artista visual), Lais Ferreira (artista visual), Milena Machado (artista visual), Mano Penalva (artista visual).
Neste encontro, os artistas e a curadora vão compartilhar processos criativos, histórias, conceitos e desdobramentos das obras, além de debater sobre o Play como Plataforma Livre de Acesso às Artes, o contexto da edição Salvador e a proposta da exposição “Lugar nenhum é logo ali”.
O público é convidado a entrar na roda, para trocar e participar ativamente, tornando a conversa uma experiência viva com a exposição.
Um encontro especial com a curadora e os artistas da exposição. Uma oportunidade de conhecer de perto os processos criativos, descobrir as histórias por trás das obras e trocar ideias em um diálogo vivo e inspirador.
Local – CAIXA Cultural
Data – 15 de novembro de 2025
Horário – 15h às 16h
Inscrições aqui
Vagas limitadas | Gratuito
Para todas as idades
Para todas as idades – crianças e jovens são bem vindos e importantes para esse debate.
Mediação João Victor Guimarães
Convidados José Eduardo e Vilma Soares_Acervo da Laje; Milena Ferreira_CAB ; Tarcísio Almeida_Instituto Práticas Desobedientes; Anderson AC_Pinacoteca do Beiru; Márcia Esperidião_CAIXA Cultural Salvador
Uma conversa com especialistas a frente de iniciativas e movimentos que usam arte e cultura como ferramenta de transformação para debater a Cidade como Território Educativo, como espaço de experimentação e cidadania, a partir da conexão entre os diversos atores sociais: artistas, pesquisadores, políticas públicas, educadores, lideranças, iniciativas independentes, agentes culturais, crianças e jovens de movimentos sociais.
Este é um espaço de escuta e troca coletiva. Todas as pessoas presentes são convidadas a participar ativamente da conversa, compartilhando experiências, visões e perguntas. A ideia é construir reflexões em comum, reconhecendo a cidade como território vivo e plural, onde cada voz contribui para construir novos caminhos.
Local – CAIXA Cultural
Data – 15 de novembro de 2025
Horário – 16h às 17h30
Inscrições aqui
Vagas limitadas | Gratuito
Para todas as idades
Para todas as idades – crianças e jovens são bem vindos e importantes para esse debate.
A edição do PlayLab Salvador é concebida como um território vivo, no qual se entrecruzam pesquisa curatorial, práticas artísticas emergentes e debates sobre espaço expositivo, performatividade e construção coletiva. E convida o Instituto Práticas Desobedientes para, em parceria, desenvolver um programa de formação voltado a jovens artistas do Recôncavo da Bahia. Como eixo pedagógico, o projeto toma a montagem da exposição coletiva “Lugar Nenhum é Logo Ali”, entendida como um dispositivo de aprendizagem que articula prática e reflexão de forma integrada.
Durante cinco dias de imersão, três estudantes/artistas vinculados ao programa de bolsas do Instituto Práticas Desobedientes e a equipe de arte educadores da Caixa Cultural Salvador participarão do processo de montagem, assistindo diretamente os artistas convidados e comissionados para a exposição – sob orientação da curadora – além de acompanharem as equipes técnicas – arquitetura e produção. O objetivo é oferecer um espaço prático e discursivo que permita aos jovens artistas e educadores, conhecerem a etapa de concepção, e vivenciarem as etapas de produção e instalação de uma grande mostra, experimentando metodologias coletivas de trabalho, estabelecendo diálogos entre a curadoria, artistas, expografia e técnicos.
A proposta parte de um princípio central do Play – enquanto plataforma de experimentação e reflexão – em diálogo direto com a pedagogia do Instituto Práticas Desobedientes — que compreende a prática como campo de formação — a montagem da exposição é deslocada de sua função estritamente operacional para ser tratada como uma residência imersiva: um laboratório de práticas artísticas e curatoriais no qual a aprendizagem acontece por meio da vivência direta e na troca de saberes.